sábado, 3 de agosto de 2013

A necessidade de fazer parte de algo

O que você é? Como você se define?
Geralmente ao ouvir essas duas questões, a maioria das pessoas responde na primeira questão com a profissão, o gênero ou algum grupo em que esteja participando ou outra coisa específica que pode se resumir a uma palavra. Na segunda, algo subjetivo relacionado à personalidade, coisas do tipo que as pessoas consideram como virtude: “pessoa de caráter”, “humilde”, etc. – ou dependendo de quem for, coisas do tipo que as pessoas consideram como caso perdido.
Fico perplexo com a limitação que essas pessoas impõem nelas mesmas. Ora querendo ser “normal” ao ficar feliz em fazer o que todo mundo faz – ou tentando ser “anormal” querendo ser rebelde e fazer exatamente o contrário (mal sabem essas que só estão sendo mais clichés que o usual); Ora fazendo definições de si mesma se resumindo com palavras vagas. E principalmente com essa necessidade de fazer parte de algo para se sentir mais humano, mais incluso ou o que quer que seja.
A quantidade de grupos no âmbito urbano é enorme: São os roqueiros, hipsters, funkeiros, fanáticos por algum time de futebol, feministas e por aí segue a diversidade de pessoas que se classificam e andam unidas para mostrar que fazem parte de alguma coisa, fazendo surgir os estereótipos. Muitos defendem a liberdade de poder ouvir, se vestir e fazer o que quiser. Além disso, vários desses grupos que possuem ideologias que divergem brigam entre si – esse instinto animal de defender e lutar por algo.
Quando tento entender tudo isso, sempre me questiono os motivos pelos quais levam as pessoas a fazerem escolhas de acordo com uma ideologia e a viver de acordo com regras ditadas por um determinado grupo. Uma das respostas que encontrei foi o que já disse antes: talvez para se sentir mais incluso e até mais humano. E é aí que fico encucado, pois pela minha concepção, a humanidade dentro de cada um é algo que deve ser exclusivo da pessoa. Independente de qualquer coisa, entendo que o medo da exclusão e solidão está presente em todos, mas defendo a seguinte tese: Pelo menos no país em que vivemos, temos a liberdade de fazer (quase) tudo o que quisermos sim (quer dizer, como Sartre dizia, estamos na verdade condenados a essa liberdade, mas aí é um assunto mais extenso), mas pra isso não é necessário uma classificação, um grupo. Construir a identidade consiste na liberdade do pensamento (ahá, isso ninguém pode nos tirar – apesar de que muitas pessoas ignoram essa habilidade). É de acordo com nossas reflexões que mudamos ou persistimos em certas opiniões, ideologias e gostos. Sábias as palavras de Raul Seixas “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Viver é refletir, é camuflar, gostar do que te faz bem... Até mesmo em certo contexto, passei a admirar os ecléticos – amar rock e ao mesmo tempo gostar de sambar é fruto da liberdade que usufruímos, sem precisar construir uma identidade baseada em coisas tão simples como um gosto musical por exemplo.
A mesma coisa em outros quesitos como profissão, religião e coisas da sociedade - Nada disso define o que somos. Se somos os únicos animais racionais, então é recomendável que antes de responder qualquer pergunta do tipo que seja relacionada a definição de personalidade, a pessoa use a capacidade de pensar.
Também acredito que com essa habilidade única que a nossa espécie possui, a de raciocinar, faz com que cada um de nós também sejamos únicos. Sendo assim, a busca em querer ser mais humano, consiste na busca da sua essência individual. Dessa maneira, podemos formar grupos sim – mas pelos quais se formam através da identificação que rola conforme as combinações que as pessoas podem ter, e tudo isso com a liberdade de cada um de poder mudar a qualquer momento. Aí sim estaremos todos fazendo parte de um grande grupo – o dos seres humanos pensantes – subdividido em vários, mas sem muitos cerceamentos.