quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O perigo da imprecisão em tempos de pós-verdades

Por Matheus Campos

Na sociedade contemporânea, é evidente que há uma facilidade de acesso às informações e, consequentemente, de criar opiniões acerca delas. Com o advento das mídias digitais e das redes sociais, se estabelece um terreno de propagação de conhecimentos que por vezes impressiona, noutras assusta, pois na medida em que é um novo espaço para se informar e ter voz, é também um recinto que engloba falácias e sensacionalismos. Esse fenômeno, ainda recente e passível de análises, afeta vários flancos: políticos, jurídicos, econômicos, e até mesmo em vidas pessoais. Mas o principal a se analisar são justamente as conseqüências numa área que é diretamente ligada ao ato de informar e opinar: a do jornalismo.

Dentro desse contexto da comunicação social, existem as vertentes daquilo que é informativo e do que é opinativo, mas com um porém: ambos necessitam de precisão e fatos objetivos para se concretizarem de maneira genuína. Erros históricos nascem da imprecisão. Profissionais como os repórteres têm o dever de serem contundentes e não emitirem juízos, pois qualquer mínimo erro ao retratar um cenário, uma história, ocasiona a falha daquele que vai expor a opinião e, consequentemente, a diversos setores da sociedade, afinal, quando um erra, a cadeia toda pode falhar: o advogado, o sociólogo, o antropólogo e mais para frente o historiador.

Com a brecha da internet de haver mais possibilidades no processo de se informar e reproduzir a informação, é necessário o dobro da preocupação na busca de fontes e na exigência da precisão ao apurar as notícias. A história sempre foi inicialmente escrita pelos veículos de comunicação e agora existem novas formas de abordá-la. Isso faz com que seja aberto um cenário de muitas incertezas e incognoscibilidades quanto ao futuro – tanto na área do jornalismo como na vida em si.

Recentemente, o Dicionário Oxford definiu “Pós-verdade” como a palavra do ano. O termo se refere a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais. Faz sentido trazer à tona esse conceito, pois isso se agrava precisamente de acordo com esse cenário agridoce da emissão de informações e opiniões nas redes digitais.

No aspecto das instituições de comunicação, autores das notícias não possuem emancipação total ao escrever e apurar, pois a liberdade de dar aval ao que será publicado e o tom das informações pertencem ao dono do veículo onde se trabalha – no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Ao ligar esse fato ao significado da palavra pós-verdade na sociedade civil, é notório que se amplia o espaço às percepções corporativas e políticas pelos meios de comunicação - e suas emoções e crenças condizentes às suas ideologias. Portanto, é muito complicada e sutil a distinção entre ser um agente de opinião ou simplesmente um porta-voz de autoridade. E, principalmente, entre um verdadeiro agente de informação ou mais um enredado nas armadilhas e segmentações ocasionadas pelas redes e pelo contágio das pós-verdades.





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