sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Quando escrevo

por Matheus Campos

 Talvez a pior frustração para alguém que gosta de escrever é, por vezes, querer desabrochar palavras e não saber sobre o quê. Ou melhor: saber exatamente o que se quer falar, porém sem noção de como estruturar em um texto. Algo como possuir todos os ingredientes da receita, mas ter dificuldades na hora de prepará-la.
Pode ser melhor que eu não escreva nada. Meus sentidos me pedem para eu manter minhas histórias, meus medos e meus desejos em sigilo e, portanto, tenho guardado minhas verdades em um baú secreto. É daí que surge o receio das palavras ordenadas.
Mas já não vejo sentido em esconder. Eis que minha rebeldia contida clama por transformar a vida em arte.
E a minha arte é justamente escrever.
Escrevo mesmo diante das adversidades.  Escrevo sem saber se as coisas têm significação ou só existência. Escrevo para manter as lembranças do meu passado e revelar os possíveis caminhos de meu futuro.
Escrevo para mim e para os outros - sem me importar tanto com o julgamento sobre o que digo e de como o faço.
Escrevo pela autenticidade de minhas escolhas. Pela espontaneidade de um sorriso. Pelo peso presente nas lágrimas que às vezes escorrem no rosto.
Então, caro leitor, permita-me revelar fragmentos de minha história a cada novo pedaço de literatura.
Mas, para tal, a receita precisa estar pronta.
Mãos na massa!





sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Es muß sein - um desabafo

Nunca fiz o tipo de cara muito sociável ou extrovertido.
E, pra ser bem honesto, não me importo tanto com isso. 
Óbvio que a adaptação social e a comunicação são importantes para os relacionamentos, trabalhos, etc. Afinal, parafraseando Beethoven: "Es muß sein" - "Tem que ser assim". Mas, na real, não tenho interesse em me aplicar às projeções dos outros só pra obter aprovação alheia. Não é que eu queira afastar as pessoas de mim ou ser um bicho do mato, muito pelo contrário, até me sinto bem popular em várias ocasiões. Só não consigo me encaixar bem nesse baile de máscaras em que a maioria dança.
Primeira verdade: Hey, as pessoas costumam ser superficiais e falsas no dia-a-dia! Segunda: No geral, ninguém reamente dá a mínima para os problemas dos outros por já estarem ocupados demais com os próprios, ocultos. 
Acho até engraçado sempre perguntarem "Tudo bem?" de maneira tão automática. Todo mundo sabe que nunca tá tudo bem - mas é quase imoral prostrar isso aos outros, certo? A galera rejeita, pois é claro que sempre vão dar valor à animação, ao que é conveniente e socialmente 
"certo". Viva à alegria predominante, mesmo que forçada! Viva aos padrões!
Pra mim é difícil entender tudo isso. Eu prefiro dar valor às diversidades. Gosto daqueles que sabem ouvir e observar tanto quanto falar. Saber usar as palavras e o silêncio é, provavelmente, a maior arma e escudo que alguém pode ter, afinal, ficar defecando pela boca não vai levar ninguém pra lugar nenhum.
Gosto das alegrias genuínas e elogios sinceros - a naturalidade das coisas. E, por fim, dou valor ao belo e sonoro FODA-SE àqueles que só julgam, criticam, condenam e se queixam. 'Querer agradar a todos' não faz e nem nunca vai fazer parte do meu currículo da vida. Sei das minhas qualidades, das minhas falhas, do caminho que sigo e de quem realmente gosta de mim. Não tenho necessidade de ficar provando o melhor que tenho, não sou nenhuma vitrine, nenhum palhaço e, muito menos, marionete dos outros. Que se dane se me subestimarem ou julgarem mal - eu me conheço e me avalio melhor do que qualquer um. Sou o que sou quando quero ser, não preciso criar personagens.